sábado, 5 de maio de 2012

Alá está morto – porque o Islão não é uma religião


Segue abaixo o resumo de um livro muito interessante escrito por Rebecca Bynum intitulado Alá está morto: porque o Islã não é uma religião (Allah is dead: why Islam is not a religion). Este livro discute, dentre outras coisas, que o Islã não precisa de deus pois ele, como religião, é fechado dentro de regras rígidas que tornam irrelevante qualquer forma de espiritualidade.
 Alá está morto – porque o Islão não é uma religião

por Rebecca Bynum 


Talvez nunca antes na história do mundo houve tanta necessidade de se separar as realidades espirituais vivas das formas mortas, doutrina e dogmas em que elas estão agora presas, dogmas estes que podem de fato terem sufocado qualquer pensamento espiritual original que possa ter existido, dogmas que confundem conformidade com aquilo que é correto, e fé por consentimento para crer. Pessoalmente, eu não acredito que a vontade de Deus” jamais possa ser contida dentro de um livro santo ou, de outra forma, dentro de um código, honrável ou não, ou mesmo dentro da Razão em si, por que a vontade de Deus é uma realidade do espírito vivo. É dinâmica e adaptável. Sua vontade é viver a verdade, procurada, mas nunca totalmente capturada, sentida, porém nunca completamente conhecida. E a fé é uma segurança viva, uma certa paz que ultrapassa o entendimento. O homem moderno comete um erro grave ao confundir crença com fé e ainda aumenta mais este erro ao forçar a uniformidade de pensamento e ação e, no caso do dogma islâmico, censurando e buscando apagar a própria personalidade, o próprio ponto focal do contato com a humanidade, a fonte da individualidade.

Espírito é a verdade viva, o pão da vida, a ponte entre o tempo e a eternidade, a porta para a vida eterna. É por isso que os homens temem isto; pois isto não pode ser controlado humanamente. Aqueles que tentam controlar a fé, encerrando-a em forma e ritual, só conseguem asfixia-la ou matá-la, às vezes rapidamente, às vezes muito lentamente. Eu acredito este ter sido o caso com o judaísmo que tinha se tornado moribundo e escravizado à tradição durante a vida de Jesus, como ele salientou repetidamente. Islã, no entanto, está em situação muito pior do que isso, pois, como uma religião, é totalmente regressivo e, de fato, está imerso em fetichismo e tabu, dos mais antigos arquétipos religiosos, bem como sendo dominada pelo materialismo e medo.

Não há dúvida em minha mente que o Alcorão é um livro fetiche. Ele é venerado não tanto por qualquer inspiração que possa ou não conter, destinada a enobrecer o coração humano, mas sim, é fetichizado como um objeto. Seus versos são sagrados não na base de seu poder na condução das pessoas a Deus, mas simplesmente porque são parte de um fetiche coletivo: assim, a noção de profanação torna-se uma causa certa para a violência em sua defesa, enquanto que qualquer dúvida sobre sua veracidade suba rapidamente para a noção de blasfêmia, um crime punível com a morte. Esperança para a reforma do Islã nessa situação, claro, é pequena ou inexistente, porque envolve a destruição do fetiche, que é o coração dessa religião. Considere também a pedra fetiche preta localizada na Caaba em Meca, que é um foco para o impulso religioso muçulmano. Orações muçulmanas são inclusive dirigidas em direção a ela e, claro, estas orações são formas. A individualidade é anulada, mesmo durante o ato mais pessoal de oração.

O Islã é definido diretamente em oposição à uma realidade espiritual viva, mutante e crescente, e por isso é esmagadoramente hostil aos afetos humanos naturais, pois no fundo, ele nega o valor do Amor. Para os muçulmanos, o Islã em si é o valor mais alto, e o amor é raramente considerado; e muito menos consideração é dada aos conceitos de Beleza, Verdade e Bondade que são pura e simplesmente ausentes da cena teológica islâmica. Pelo Islã, esses valores são ignorados ou explicitamente negados. Porém, quando pressionados, os muçulmanos vão dizer-lhe que toda a verdade está contida no Alcorão e que não há verdade fora dele. Portanto, é preciso dizer, o Islã é uma religião que nega a realidade do Espírito pois o Islã não reconhece nenhum valor acima de si mesmo.

O foco do Islã é inteiramente sobre o mundo material. As suas noções de puro e impuro são expressamente materiais do mesmo jeito como é o seu conceito de soberania religiosa. Soberania islâmica é a soberania territorial, não a soberania do espírito sobre os corações dos homens; ao invés disto, o Islã está totalmente ligado à expansão territorial - a disseminação da lei da Sharia - a "lei de Deus" sobre a terra de Deus e sobre as pessoas que habitam essa terra e que são forçadas a se submeterem ao Islã de uma forma puramente material. O Islã está preocupado apenas com os corpos, não com as almas dos seres humanos, com o pão literal e não com o pão espiritual. Ao controlar as mentes dos homens, o Islã ganha controle sobre seus corpos, e ele faz isso a fim de criar a sociedade "perfeita". As almas humanas são deixadas a definhar nesta prisão de barras mentais. Questionamento cético é amortecido porque o Islã envolve e incide sobre todos os assuntos, assim, a liberdade de pensamento extingue-se gradualmente para que a justiça islâmica, conformidade com o Islã, prevaleça. Auto-expressão, auto-realização e auto-conhecimento individuais são limitados por todos os lados.

A verdadeira justiça, por outro lado, a justiça que não é coagida, resulta naturalmente do amar os vizinhos "como a si mesmo", como na tradição judaico-cristã. Aqui, a primazia está no indivíduo e não no grupo, e a vontade do indivíduo em amar a Deus com todo o seu coração e mente como pré-requisito, faz com que a vontade individual, não um conjunto de códigos de conduta, seja o fator determinante do que é considerado como justiça. Além disso, a aceitação individual do amor de Deus reorienta a pessoa como "filho" de Deus e assim ele se torna obrigado a amar outros homens como seus "irmãos" no sentido espiritual. Mas a responsabilidade recai sempre sobre o indivíduo que é livre para descobrir a vontade de Deus por si mesmo; e isto deve ser entendido como verdadeiro, mesmo que a vontade contradiga os ensinamentos da autoridade religiosa do dia. O relacionamento supremo é entre o indivíduo e um Espírito vivo e dinâmico. Assim, o pecado poderia possivelmente ser redefinido como a rebelião deliberada contra essa liderança interior divina, e pode, portanto, ser cometido mesmo seguindo a autoridade religiosa do dia, que pode não estar de acordo com a vontade de Deus para aquele indivíduo naquele momento.

Deus não é material e, assim, sua vontade não pode ser encaixotada dentro de um conjunto de códigos, ou listas de "não farás." Esta é uma verdade que os liberais exaltam, mas os conservadores instintivamente recorrem à tradição e à autoridade, temendo a morte da religião e a dissolução da sociedade como um resultado deste "pensamento livre". No entanto, Deus, a sua vontade viva, e seu "reino" da vida eterna, é livre para ser descoberto dentro de cada pessoa. E essa descoberta contém o objetivo e a essência da vida. A verdadeira religião não é uma questão material de fazer certas obras para a obtenção de certas recompensas. A vontade de Deus é única para cada um de nós, e, de fato, esse conceito de comunhão individual com este bom espírito efetivamente impede o conceito de doutrina como um fim em sí mesmo, não importa o que as autoridades religiosas dos nossos dias possam reinvidicar ou procurem reinvidicar.

Por outro lado, o Islã nega a comunhão espiritual indivídual em favor da adesão doutrinária comum. A doutrina islâmica usurpa tão completamente a prerrogativa divina que o Islã efetivamente substituiu Deus. Para todos os efeitos, para os muçulmanos, o Islã é Deus.

Na raiz do Islã, eu suspeito, existe uma negação da finalidade do sofrimento como evidenciado pelo esforço para tornar a sociedade em uma máquina que funcione suavemente, onde não existam grades contra ninguém, porque "pecado" foi banido. Piedade é assegurada pela polícia (de pensamento, religiosa e outras) e punições rígidas são distribuídas em casos quando a virtude, significando aqui conformidade, não é acolhida. Pessoas não estão autorizadas a sofrer as conseqüências naturais de seus pecados; adúlteros, blasfemos, e assim por diante, são eliminados para que o grupo seja  descontaminado. No caso da blasfêmia (fala impura) e apostasia (pensamento impuro) o indivíduo deve ser permanentemente apagado; pois a pureza do grupo, como evidenciado no pensamento, palavra e ação dos indivíduos que compõem o grupo (Ummah) deve ser mantida para garantir a coesão do grupo. Como um enxame de abelhas, o grupo deve ser protegido com o sacrifício do indivíduo. O Islã é a abelha-rainha para quem todo o sacrifício indivídual, de fato a essência da própria vida, suas alegrias e felicidade, deve ser sacrificado, incluindo a suprema satisfação de conhecer a Deus e fazendo sua vontade (porque é o correto); tudo isso se torna um sacrifício.

Devemos lembrar que o leito do rio não é o rio. A forma e a tradição, o ritual e a doutrina de uma religião, podem realizar e transmitir a água da vida, mas elas não são a própria água. Muitas pessoas confundem religião com a tradição dogmática em que é realizada. Se Jonas não pudesse ter sido literalmente engolido por uma baleia, se o Mar Vermelho não pudesse ter se separado para Moisés, porque esses eventos assim descritos desafiam as leis conhecidas da física da natureza, então o homem moderno está tentado a desconsiderar toda a religião como uma simples massa de superstição, para ser descartada tão facilmente como jogar o lixo fora. Mas então, o homem moderno é deixado sem saída para o seu impulso religioso natural inato, e tão logo a religião volta a ser magia e encantos, como vemos de forma tão proeminente na chamada "Nova Era", ou continua a reverter ainda mais para fetiche e tabu como no islamismo.

O Islã se descreve como a religião original para a qual as pessoas revertem ao invés de se converterem, e nisso eu acredito, os muçulmanos estão corretos. A sociedade está caindo ladeira abaixo e o Islã está nos esperando lá no fundo.

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