quinta-feira, 4 de julho de 2013

A "Jihad do Topless" da FEMEN


Para enfrentar a Jihad é preciso de peito e coragem, neste caso, é preciso seios e coragem.

O grupo feminista FEMEN ganhou notoriedade internacional com os seus protestos nos quais as mulheres se apresentam com os seus seios à mostra, ou seja, fazendo topless. Esta é uma forma de chamar a atenção para o seu protesto. Este grupo tem ganhado adeptas ao redor do mundo, inclusive no mundo islâmico.


Uma jovem da Tunísia, Amina Tyler, chocou os muçulmanos mais ortodoxos ao se fotografar mostrando os seus seios, sobre os quais estava escrito "Meu corpo é meu e não a fonte de honra de qualquer pessoa" e "Foda-se a sua moral." 
Amina Tyler

A reação do chefe da Comissão para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício na Tunísia (aplicadores da Lei Sharia), o pregador Almi Adel, foi a de manifestar grande desgosto com as ações de Amina. "Esta jovem deve ser punida de acordo com a sharia, com 80 a 100 chicotadas, mas [por causa] da gravidade do ato que cometeu, ela merece ser apedrejada até a morte", disse ele. "Seu ato poderia provocar uma epidemia. Poderia ser contagioso e dar idéias para outras mulheres. Portanto, é necessário isolar [o incidente]. Desejo que ela seja curada."

Curar aqui significa enviar Amina para um hospital psiquiátrico. A reação da líder do FEMEN, Inna Shevchenko, foi o de dizer que o envio de Amina a um hospital psiquiátrico é "uma forma típica de reagir à demanda de uma mulher de ser livre - eles dizem que ela enlouqueceu ou está sendo muito emocional."

A família de Amina a sequestrou, espancou, e segurou-a em cativeiro por três semanas, período durante o qual a drogou, submeteu a um teste de virgindade amadora, obrigou-a a ler o Alcorão, e levou-a em visitas involuntárias aos imãs. A tia de Amina postou um vídeo online no quel ela chamou sua sobrinha de "doente mental", "desequilibrada" e "psicopata" por seu "ato vergonhoso", que tinha ferido o "orgulho de seu pai como um homem". Por conta de tal orgulho ferido, haviam boas razões para temer pela vida de Amina (ver crimes de honra).

Em um comunicado, a FEMEN expressou o seu furor sobre "ameaças bárbaras dos islâmicos sobre a necessidade de represálias contra a ativista tunisina Amina."

"Estamos com medo por sua vida e chamamos as mulheres a lutar por sua liberdade contra as atrocidades religiosas", continuou. "Use o seu corpo como um cartaz para os slogans de liberdade. Seios nus contra o islamismo".

E foi lançada a Jihad do Topless ... contra o islamismo!


Com a sua jihad do topless a Femen estava não apenas defendendo uma ativista mas, muito mais importante, defendendo o direito à liberdade de expressão (para não falar da defesa da vida e da liberdade) flagrantemente violados pela própria família de Amina e por uma  comunidade agressiva, de maioria muçulmana, de onde ameaças contra Amina e Shevchenko continuam a emanar.

Shevchenko  disse que a única razão que levou a Femen a discutir o islão  é o "sangue, medo e os corpos das mulheres mortas" que ele causa. "A ideia de uma feminista muçulmana é paradoxal".


Desde então, têm havido protestos da Femen na Suécia, Itália, Ucrânia, Bélgica, França, e até mesmo na Tunísia. 

Ativistas do grupo de direitos das mulheres Femen gritam slogans durante uma manifestação de apoio aos direitos das mulheres árabes, incluindo a ativista tunisina Amina, na entrada da mesquita de Bruxelas, em 4 de Abril de 2013. (Reuters / Francois Lenoir)

Ativistas da Femen participam de um protesto em topless do lado de fora do consulado da Tunísia em Milão, em 4 de Abril de 2013. (Olivier Morin / AFP / Getty Images)

Policiais prendem uma ativista da Femen durante um protesto de topless em uma mesquita em Kiev, na Ucrânia, em 4 de Abril de 2013. (AFP / Getty Images)

Ativistas da Organização da Juventude Comunista, ao lado da Femen, seguram cartazes ao participarem de um protesto em frente à embaixada da Tunísia em Estocolmo, Suécia, em 4 de Abril de 2013. (Jonathan NACKSTRAND / AFP / Getty Images

Ativistas da Femen tentam queimar uma bandeira salafista, para protestar contra os islamitas, em frente à Grande Mesquita de Paris, em 3 de abril de 2013. (Fred Dufour / AFP / Getty Images)

Ativista ucraniana movimento dos direitos das mulheres Femen, Inna Shevchenko (à direita), participa de um protesto em topless com outras ativistas da Femen perto de Embaixada da Tunísia em Paris, em 4 de Abril de 2013. (Miguel Medina / AFP / Getty Images)

Ativistas do movimento de mulheres Femen demonstram à frente da mesquita Ahmadi (mesquita mais antiga de Berlim) em Berlim, em 4 de Abril de 2013. (Johannes Eisele / AFP / Getty Images)

Protesto dentro de mesquita na Suécia (Johathan Nackstrand / AFP)

Ativistas feministas européias da Femen, que passaram um mês na cadeia depois de um protesto de topless defronte ao tribunal na Tunísia, retratam o pedido de desculpas que ela fizeram um dia antes com o intuito de serem libertadas. Elas alegam terem sofrido condições imundas e humilhante enquanto na prisão.



Femen protestando em frente à embaixada da Tunísia em Paris

A reação dos islamistas é previsível, no seu jogo de tentar enganar a opinião pública ocidental e desqualificar os protestos da FEMEN como algo feito por “europeus imperialistas.” Desde que lançou a sua "jihad", com protestos de topless em toda a Europa, a Femen despertou um turbilhão na imprensa, com os comentaristas, em sua maioria homens e mulheres muçulmanos que vivem no Ocidente, chamando o grupo de racista, classista, imperialista, colonialista, eurocêntrico, islamofóbico, orientalista, neo-orientalista, covarde, ou, na melhor das hipóteses, ingênuo e tolo.

É como se a cor da pele da maioria das ativistas, de proveniência européia, as desqualificasse de expressar pontos de vista sobre o islão e sobre como as mulheres muçulmanas são tratadas no mundo islâmico.

Mas agora, deve ficar claro que, com a Femen, estamos lidando com algo novo. A Femen originou-se na Ucrânia, com mulheres jovens que cresceram sem uma exposição à cultura do politicamente correto do Ocidente, e que tem pouco respeito por ela. Devido ao passado soviético de seu país, elas sabem o quão deletério pode ser sufocar-se a liberdade de expressão. Agora que elas se mudaram para o ocidente, a Femen tem a coragem de quebrar as regras e animar o debate sobre o papel da religião em nosso mundo. As militantes estão traçando um novo caminho para o discurso público sobre as mulheres e a religião, e, usando de um discurso claramente universal, aventuram-se em um ambiente onde elas podem serem odiadas, ou onde elas ainda podem pagar um preço alto por isso. Mas é inegável que elas fizeram com que as pessoas falessem, mesmo gritando e chorando, e isso é bom. E só através do debate e discussão, por vezes dolorosos, muitas vezes inquietantes, vamos progredir.
 
Longe de desencorajar o discurso que elas iniciaram, devemos acolher este debate.
 

Referências


Femen Stages a 'Topless Jihad', The Atlantic, Abril 2013

Topless Jihad: Why Femen Is Right, The Atlantic, maio 2013






Um comentário:

Anônimo disse...

realmente louvável esse protesto. As mulheres não devem se calar diante de uma situação de extrema injustiça conforme ocorre no mundo islâmico, no tocante a homens e mulheres. Ou seja , mulheres tem de calar e aceitar o que lhes é imposto.
A religião é usada para oprimir as mulheres.