sábado, 13 de julho de 2013

Novo governo militar do Egito quer a lei islâmica acima da constituição


A festa foi bonita, mas durou pouco.
A esperança depositada no novo governo egípcio, apoiado pelos cristãos coptas, levou muito pouco tempo para desmoronar. O novo governo quer a lei islâmica (sharia) soberana sobre a nova constituição.
A perseguição aos cristãos coptas continua.

O sonho de um governo secular pós-Irmandade Muçulmana ruiu muito rapidamente. Andrew Bostom traz uma notícia desanimadora [1]. Ele diz:

"A comunidade copta do Egito está alarmada sobre o roteiro constitucional emitido nesta segunda-feira pelo presidente interino Adly Mansour.

Um grupo ativista copta, a União da Juventude Maspero do Egito – criada usando o nome em homenagem ao brutal massacre de Maspero [2], durante o qual os militares egípcios alvejaram e mataram  dezenas de cristãos coptas, ferindo outros 300 - respondeu com angústia compreensível à declaração do presidente interino Adly Mansour. A União da Juventude Maspero caracterizou como "chocante" o documento de 33 artigos, que descreve o roteiro para o período de transição previsto para durar seis meses.

O primeiro artigo da declaração combina os artigos 1º, 2º e 219º da Constituição sendo suspensa [3] - artigo 219 tinha sido adicionado anteriormente por supremacistas islâmicos muçulmanos para esclarecer o significado de "princípios da sharia islâmica" mencionado no segundo artigo. Aqui estão os artigos da Constituição do Egito, recentemente suspensa, que, deve ser dito, tinha sido recentemente aprovada em dezembro de 2012, por um total de 64,0% dos egípcios, (10.543.893/16.472.241), incluindo 67,5% (162.231 / 240.224) de egípcios vivendo no exterior [4]. 
Artigo 1 º: A República Árabe do Egipto é um Estado independente e soberano, unido e indivisível, e o seu sistema é democrático. O povo egípcio faz parte das nações árabes e islâmicas, orgulhoso de pertencer ao vale do Nilo e da África, e do seu alcance asiático, um participante positivo na civilização humana. 
Artigo 2 º: O islão é a religião do Estado e o árabe é a língua oficial. Os princípios da Sharia islâmica são a principal fonte da legislação. 
Artigo 219: Os princípios da Sharia islâmica incluem evidências gerais, as regras fundamentais, as regras de jurisprudência e fontes credíveis aceitas nas doutrinas sunitas e pela comunidade como um todo. 
Segundo relatado ontem pela Al-Ahram (10 de julho), o "novo" e "híbrido" artigo agora inclui [5]: 
... afirma que a República Árabe do Egito é um sistema democrático baseado na cidadania, que o islã é a religião do Estado, o árabe é a língua official, e os princípios da lei sharia derivados de cânones sunitas estabelecidos são a sua principal fonte de legislação. [Ênfase nossa]
(Um parênteses: texto semelhante ao usado na "Declaração dos Direitos Humanos no Islão", aprovada pela Organização da Cooperação Islâmica.)

Esta nova carta constitucional traz terríveis e  trágicas consequências para os cristãos coptas, e diminui qualquer esperança de estabelecer um  consenso, moderno e secular, que o Egito tão desesperadamente necessita.

União da Juventude Maspero emitiu esta declaração lamentosa: 
A [declaração constitucional] não é compatível com os ideais da revolta de 30 de junho ... que ocorreu em prol de um Estado civil, defendendo a diversidade religiosa e cultural.
Este novo e deprimente espetáculo que se desdobra no Egito confirma a triste sabedoria desta observação, feita pelo grande historiador indiano do islã, KS Lal [6]: 
Maomé não podia mudar a revelação; ele só poderia explicá-la e interpretá-la. Existem muçulmanos liberais e conservadores; existem muçulmanos sabedores de teologia e muçulmanos desprovidos deste conhecimento. Eles discutem, eles interpretam, eles racionalizmr - mas tudo isso, dando voltas e voltas dentro do círculo fechado do Islã. Não há nenhuma possibilidade de se sair dos fundamentos do Islã; não existe abertura para se introduzir qualquer inovação." 
Enquanto isso, a perseguição aos cristãos coptas continua, como vem sendo desde que o islã ocupou o Egito no século sétimo.

Muçulmanos têm isso inculcado, bem fundo, dentro do cérebro: eles querem sharia. E esse desejo é muito difícil de quebrar. 

Referências:


[1] Mama Mia, More Sharia in Egypt, Andrew G. Bostom, American Thinker, jul/2013

[2] Egypt's Massacre of Christians: What the Media Does Not Want You To Know, Raymond Ibrahim, Gatestone Institute, Out/2011


[3] Egypt's draft constitution translated, Egypt Independent, dez/2012


[4] Full unofficial results of Egypt's constitution referendum: A visual breakdown, Ahram Online, dez/2012


[5] Egypt's Maspero Youth Union says constitutional declaration 'shocking', Ahram Online, jul/2013


[6] Sharia versus Freedom: The Legacy of Islamic Totalitarianism, Andrew G. Bostom


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