sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Submissão, livro de Michel Houellebecq, antevê uma França islâmica em 2022



Submissão, do escritor francês Michel Houellebecq: ficção ou premonição?

Edição em Português lançada em abril de 2015, Editora Alfaguara

Descrição:

Uma fábula política e moral surpreendente, Submissão é o romance mais visionário e simultaneamente mais realista de Michel Houellebecq.

Ele se passa em Paris, no ano de 2022. François, professor universitário de literatura, cumpre desapaixonadamente o ofício do ensino enquanto leva uma vida calma e impermeável a grandes dramas, uma rotina de quarentão apenas ocasionalmente inflamada pelos relacionamentos passageiros com mulheres cada vez mais jovens. É também com indiferença que vai acompanhando os acontecimentos políticos do seu país. Ele é um exemplo do homem francês típico.

Às portas das eleições presidenciais, a França está dividida. O recém-criado partido da Irmandade Muçulmana conquista cada vez mais simpatizantes, graças ao seu carismático líder, Mohammed Ben Abbes, que agrupa uma frente democrática ampla numa disputa direta com a Frente Nacional. O país obcecado por reality shows e celebridades, assiste as ruas de Paris serem tomadas de assalto: tumultos, os carros incendiados, as mesas de voto destruídas.

As mudanças sociais, no início imperceptíveis, aos poucos se tornam dramáticas. O desemprego é resolvido porque as  mulheres são forçadas a deixarem a força de trabalho. O déficit nacional é erradicado por meio de cortes sobre a educação, com a Sorbonne fechando (e François ficando sem trabalho). Sob o novo sistema, a educação obrigatória termina no ensino fundamental, em torno de doze anos de idade. Todas as mulheres são obrigadas a usarem o véu. Os judeus (incluindo Myriam, a última amante de François, e sua aluna) são incentivados a emigrarem para Israel. À medida que mais países em toda a Europa caem sob o controle de partidos islâmicos, o Marrocos, a Turquia e a Tunísia aderem a União Européia (enquanto que as negociações com o Líbano e Egito caminham muito bem). Uma França modificada, vê a sua posição de poder global restaurada.

Deprimido pelo seu afastamento da universidade pela nova direção, François retira-se para o campo, onde espera deixar de sentir as ondas de choque da capital. Ele regressa a Paris poucos dias depois do desfecho eleitoral e encontra um país que já não reconhece. Em Paris, ele vê as mulheres veladas, e descobre que a Sorbonne reabriu como a Universidade Islâmica de Paris-Sorbonne, apoiada por fundos sauditas. Seu novo chefe, Robert Rediger, um ex-patriota que se converteu ao islão, tendo tomado várias esposas, uma delas de 15 anos de idade, oferece a François o retorno ao seu emprego, desde que ele se converta para o islão.

Com este seu livro, Houellebecq parece estar dizendo que a sociedade francesa dos dias de hoje, sob a forma de seus políticos, seus jornalistas, seus acadêmicos e não menos importante, os seus romancistas, irá obter exatamente o que ela merece: um estado administrado por aqueles que acreditam em algo maior e mais grandioso do que os ganhos fáceis e a corrupção de suas posições elevadas.

O interessante, e irônico, é que o livro foi lançado na França no mesmo dia em que ocorria a jihad contra o Charlie Habdo.


Entrevista de Michel Houellebecq para Elizabeth Carvalho



Texto compilado a partir de resumos e revisões feitas pela Editora Objetiva, FNAC, The Guardian e  NY Times.


Atualização em 24 de maio de 2016

Uma análise literária do livro feito por Tatiana Feltri no seu canal do YouTube.

https://youtu.be/ITvt8iVIeH0 OK


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