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segunda-feira, 16 de julho de 2018

Reconquista: resumo e Batalha das Navas de Tolosa

A data de hoje, 16 de julho, marca o aniversário de um dos mais importantes eventos da Reconquista da Península Ibérica: a vitória do exército cristão sobre os invasores muçulmanos que ainda mantinham sob seu controle a porção sul da península.

Vídeo, com legendas em portugês, apresenta um resumo da conquista muçulmana da Península Ibérica e da Reconquista levando ao climax da Batalha das Navas de Tolosa (conhecida em árabe como Batalha de Al-Uqab), em 16 de julho de 1212. A coligação católica entre os reinos de Portugal, Castela, Aragão e Navarra, junto com os Cavaleiros Templários e as Ordens de Santiago e Calatrava derrotou os muçulmanos almóadas do Marrocos, próximo a localidade espanhola de Jaén.

O vídeo foi produzido pelo Canal "Kings and Generals." Para quem gosta de História, este canal é muito interessante e recomendável! O vídeo original se encontra em https://youtu.be/Yl8iWejuZmM, e este canal possui vários outros vídeos que podem ser acessados através desta lista de vídeos.

Um pouco mais sobre a Batalha das Navas de Tolosa neste artigo


A nossa tradução está transcrita abaixo.

(Ao final deste artigo, um vídeo que mostra o desenvolvimento da Reconquista, ano a ano)

Carlos Martelo e os Francos pararam a invasão muçulmana na Batalha de Tours em 732 AD.
Por causa disso, são comumente considerados os salvadores da Europa.
Mas foram os povos da Península Ibérica (Espanha e Portugal) que, apesar dos contratempos iniciais, 
resistiram aos muçulmanos (mouros) por séculos.
Eventualmente, os espanhóis e portugueses começaram a recuperar suas terras evento chamado de A Reconquista.

Francisco de Paula Van Halen, Batalha das Navas de Tolosa

O califado islâmico conquistou vastas terras da Ásia Central ao Norte da África em menos de um século.
Em 708 dC, os muçulmanos chegaram ao Marrocos.
Os conquistadores islâmicos estavam a apenas 15 km da Europa e em 711 dC o general berbere (mouro) Táriq invadiu a Hispânia (Espanha).
Esta província romana estava sob o controle do reino visigodo.
Os muçulmanos desembarcaram em Gibraltar; "A montanha de Táriq" em árabe.
Embora eles só tenham acionado aproximadamente 12.000 homens eles continuaram a conquistar o território derrotando decisivamente o rei visigodo Rodrigo, em 712, na Batalha de Guadalete.
Pouco depois, a capital, Toledo, foi ocupada.
O reino visigodo entrou em colapso e em apenas 7 anos toda a Península foi subjugada, com exceção de algumas regiões montanhosas remotas.
Os ancestrais dos bascos, os vascões, não tinham interesse em se render.
Uma pequena força dirigida pelo nobre Don Pelayo derrotou os muçulmanos em 718 (28 de maio) na Batalha de Covadonga.
Don Pelayo foi capaz de criar um novo estado ao norte da península que foi chamado de Astúrias.
Esta vitória é considerada o evento que começou a Reconquista.
Muçulmanos viram pouco uso em tentar pacificar esta região inóspita e eles voltaram os olhos para a França.
Entre 719 e 759 suas forças tentaram invadir os francos em várias ocasiões mas em cada uma delas, eles foram repelidos.
Enquanto isso, na Espanha, o novo rei das Astúrias, Alfonso I, tomou Pamplona e depois quase toda a Galiza em 750.
Os muçulmanos tiveram suas disputas internas e no mesmo ano, a dinastia omíada foi substituída pela dinastia abásida um dos últimos omíadas, Abdul Rahman, conseguiu salvar sua vida e tomar Córdoba em 756.
Formou um emirado independente e unificou a maioria da Espanha muçulmana sob seu governo nos 25 anos seguintes.
Os emires tentaram tomar o norte da península mas eles foram derrotados em 794.
Durante a Batalha de Lutos, as forças muçulmanas foram aniquiladas por Alfonso II das Astúrias.
Para o leste, os cristãos criaram o novo Reino de Pamplona, mais tarde transformado  no Reino de Navarra, enquanto Astúrias foi renomeado Reino de Leão.
Ambas as nações eram aliadas em sua tentativa de rechaçar o emirado mas esta aliança foi derrotada na batalha de Valdejunquera.
Esta foi a maior derrota cristã durante a Reconquista.
O emirado de Córdoba se sentiu suficientemente influente para se declarar um califado.
Isso simbolizava que eles eram tão fortes quanto os califados Abásida ou Fatímidas. 
Apesar disso, o rei de Leão, Ramiro II, conseguiu derrotar as forças muçulmanas em 939 na batalha de Simancas.
Infelizmente, a situação no Reino de Leão não foi estável e logo após esta vitória Castilla se rebelou, e isso não permitiu que os cristãos continuassem a Reconquista.
A situação se tornou mais calamitosa no final do século X. 
O califa começou a dar menos tempo para assuntos de Estado e o nobre Al-Mansur tornou-se o líder de fato do califado.
Ele mudou totalmente a situação na península ibérica, pois entre 978 e 1002 ele conseguiu derrotar todos os domínios cristãos várias vezes.
Esses reinos foram obrigados a pagar impostos a Córdoba depois de sua derrota esmagadora na Batalha de Severa no ano 1000.
A morte de Al-Mansur, em 1002, afundou o califado em uma guerra civil que terminou com o seu próprio colapso.
Os domínios muçulmanos foram divididos em dezenas de senhores da guerra chamado taifas, que pode ser traduzido como "tribos".
Parecia o momento perfeito para um ataque cristão e recuperar a península.
E, assim, o rei de Navarra, Sancho III, teve sucesso na unificação com Castilla, León e Aragón.
No entanto, após sua morte, seu reino foi dividido entre seus muitos filhos no que resultou em várias guerras entre Castela, Leão, Aragão e Navarra.
Incursões intermináveis ​​e caos marcaramo sé culo XI.
A figura central dos eventos da época é Rodrigo Díaz de Vivar, também conhecido como "El Cid".
Este líder militar entrou no mito coletivo da Espanha e de toda a cristandade por seus atos.
Um dos reis que ele serviu, Afonso VI, conseguiu unificar Castela, Leão e Galiza.
Em 1077, Alfonso era forte o suficiente e declarou-se imperador da Espanha.
De fato, muitas taifas muçulmanas foram forçadas a pagar tributo, e, em 1084, ele conseguiu tomar controle da antiga capital, Toledo.
Este ato preocupou as entidades muçulmanas de toda a península e eles pediram ajuda aos seus vizinhos do sul, os berberes almorávidas.
Os berberes foram rapidamente para a Espanha e derrotaram, decisivamente, Alfonso, em 1086, em Sagrajas. 
Os almorávidas decidiram aproveitar a fraqueza das taifas e, em 1110, eles ocuparam o sul da península.
No entanto, foi muito tarde, porque os reinos cristãos estavam recebendo ajuda significativa de seus correligionários, e isso ficou evidente em toda a região. 
Em 1139, Portugal foi estabelecido como um reino, e com a ajuda dos cruzados, Lisboa foi reconquistada em 1147.
Enquanto isso, ao sul, os berberes tiveram problemas,
pois uma nova seita, os almóadas, começaram a conquistar o Marrocos e Espanha, e, em 1173, esse processo foi concluido.
Os almóadas representavam uma seita mais fanática do Islã.
Enquanto os muçulmanos lutavam entre si, no norte, os reinos espanhóis construíram uma forte aliança. 
O Reino de Castela, liderado por Alfonso VIII, lançou uma campanha dentro do território almóada, mas, durante a Batalha de Alarcos em 1195 foi severamente derrotado, e qualquer desejo para reconquistar foi momentaneamente adiado.
Nem os almóadas nem os cristãos aceitavam este novo equilíbrio.
Em 1211, o califa Muhammad Al-Nasir cruzou o Estreito de Gibraltar com um exército de 70.000 homens. 
Papa Inocêncio III convocou uma nova cruzada.
Mais de 40.000 cruzados reuniram-se em Toledo na primavera de 1212.
Os reinos de Castela, Aragão, Portugal e Navarra, junto com os Cavaleiros Templários e as Ordens de Santiago e Calatrava, formaram um exército. 
Este exército seria comandado pelo rei castelhano Alfonso VIII.
Nunca antes cristãos ou muçulmanos formaram exércitos tão grandes na Espanha, e esta campanha iria ser decisiva.
A estratégia muçulmana era simples. Al-Nasir se mobilizou rápido a maioria de suas forças para bloquear as passagens nas montanhas da Serra Morena, enquanto enviava grupos para sitiar os castelos inimigos próximos.
Ele pensou que os cavalheiros não seriam capazes de lutar eficazmente nas montanhas e eles ficariam sem suprimentos rapidamente. 
Alfonso tentou atravessar as montanhas em várias ocasiões mas foi bloqueado.
Diz a lenda que o exército de Alfonso foi abordado por um pastor, que prometeu guiá-los através de um passo não protegido.
Esta manobra aparentemente surpreendeu Al-Nasir que ainda não tinha todo o seu exército sob seu comando. 
Os exércitos estavam agora em uma área chamada Las Navas de Tolosa onde a batalha decisiva pela Espanha aconteceria.
Os espanhóis tiveram que lutar ladeira acima.
Seu exército foi dividido em 3 grupos com Alfonso no centro, com cavaleiros de suas ordens, o rei de Aragão, Pedro, à esquerda e o rei Sancho de Navarra à direita.
Cada grupo foi dividido em 3 linhas com infantaria na primeira, cavalaria na terceira e uma mistura de ambos na segunda.
Os muçulmanos fortificaram uma pequena posição para o califa e sua guarda.
Os almóadas tinham toda a sua cavalaria à direita e à esquerda, com o centro ocupado pela infantaria que consistia em muçulmanos locais, na linha de frente, e marroquinos na segunda.
A vanguarda do exército consistia em atiradores leves.
Tudo começou quando a cavalaria muçulmana atacou para a esquerda e para a direita. Após algum sucesso inicial, os cavaleiros muçulmanos foram contra-atacados por cavaleiros na segunda linha.
A cavalaria do califa foi empurrada de volta para cima da colina.
Os atiradores muçulmanos no centro recuaram sob o contato.
Mas a segunda linha se juntou ao ataque e as linhas cristãs estavam correndo perigosamente o risco de quebrar.
Diz-se que, neste momento, Alfonso entrou em pânico porque ele se lembrou da sua derrota esmagadora em Alarcos.
Somente após o encorajamento do clero, ele recuperou sua a razão e comandou o seu centro em um contra-ataque. 
Os espanhóis pararam o seu recuo,  mas a situação ainda era delicada.
No entanto, eles seriam salvos por uma manobra tática corajosa do próprio rei Sancho.
O líder navarro viu que a maioria do inimigo estava ocupada no centro e nos flancos. Então ele comandou seus cavaleiros até a colina para atacar o califa diretamente. 
A guarda não esperava essa manobra e os cavaleiros se aproximaram do califa.
O califa ficou desesperado naquele momento e decidiu fugir.
Assim que as forças muçulmanas viram que sua bandeira não estava mais presente, elas quebraram suas linhas e tentaram fugir. Segundo as fontes, a maior parte do exército almóada morreu ou foi levado prisioneiro. 
Os espanhóis foram vitoriosos.

Monumento da Batalha das Navas de Tolosa

Embora esta vitória não tenha trazido conseqüências imediatas ela marcou uma reviravolta.
Os almóadas logo entraram em colapso e os muçulmanos não voltaram a lançar nenhuma ofensiva séria contra a Espanha cristã.
Gradualmente, região por região, cidade por cidade, a Reconquista reivindicou toda a península.
Granada foi a última a ser reconquistada, em 1492, pelo Reino Unido da Espanha.


Desenvolvimento da Reconquista, ano a ano 


https://www.bitchute.com/video/1LNazpZL2EYa/ OK

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Espanha: muçulmanos fazem campanha para transformar a Catedral Católica de Córdoba em "Espaço de Adoração Compartilhada"

Na ideologia islâmica, todo o pedaço de terra, seja uma cidade, um estado, ou um país, que tiver sido governado pelo islão/sharia é muçulmano para sempre. Por isso a comoção total contra Israel. Por isso, o sonho de conquistarem a Espanha e Portugal. 
A luta pela posse da Catedral de Córdoba é apenas um capítulo nesta guerra eterna.
Um grupo de muçulmanos faz campanha para transformar a Catedral Católica em Córdoba, na Espanha, em um "Espaço de Adoração Compartilhada." Esta reivindicação decorre do fato de que o prédio serviu como uma mesquita do século 8 ao 13.

O mais surpreendente é que esta reinvindicação tem sido apoiadas pelas autoridades locais.

Contudo, existia uma igreja no mesmo local, a Basília de São Vicente de Léris. No século 8, quando da conquista militar da Espanha pelos muçulmanos, e sua consequente ocupação, a basílica foi demolida (em 758), e no seu lugar a mesquita foi construida.

No ano de 1236, Córdoba foi reconquistada e o prédio, ao invés de ter sido demolido, foi simplesmente convertido em uma catedral católica, sendo "cristianizada". Uma nave renascentista foi adicionada no centro do prédio, local onde as missas são celebradas até os dias de hoje.

Desde 2000, a população muçulmana de Córdoba solicita ao governo local, pedindo que o local seja transformado em um "espaço de adoração compartilhado".

Em 2010, uma briga estourou entre guardas de segurança e turistas muçulmanos quando os visitantes começaram uma roda de orações islâmicas dentro da Igreja, o que está proibida pelas regras da catedral.

Em 2013, um grupo chamado Plataforma para a Mesquita-Catedral de Córdoba entregou uma petição de 35 mil assinaturas ao governo, pedindo que o edifício fosse recuperado.

Em 2014, a UNESCO, polêmica, começou oficialmente a chamar o prédio de "A Grande Mesquita de Córdoba." (Lembre-se, a UNESCO é controlada por países islâmicos e nega que Jerusalém tem importância para judeus e cristãos, apenas para os muçulmanos)

O bispo de Córdoba, Demetrio Fernandez Gonzalez, disse ao Wall Street Journal que, muito embora ele considere ser imposível que o governo local confisque a catedral, ele já havia garantido o apoio do Papa em caso de uma batalha legal.

Se for para tranformar a Catedral de Córdoba em um "Espaço de Adoração Compartilhada", o mesmo deveria acontecer com a Catedral de Hagia Sofia, em Istanbul.

Esta polêmica deve-se ao fato de Córdoba ter sido o centro da Espanha islâmica, e esta ter sido a principal mesquita. Com o revivamento islâmico, os muçulmanos voltam a sonhar na reconquista da reconquista, ou seja, tornar a Espanha (e Portugal) em colônias islâmicas novamente. Por exemplo, um artigo no AsiaNews em 2004  relata que um importante muçulmano espanhol, Abderrahman Muhammad Manan, escreveu que a antiga mesquita deveria ser libertada e que "nós, muçulmanos, não podemos ficar atrasados, dizendo que o islão não é composto de pedras ou monumentos. Fazer isso é não dar conta de quais são as coisas nas suas essências e, na sua essência, Alhama é o Islã em nossa terra, como é Al-Andalus, Andaluzia, é a lembrança de uma colonização, de um genocídio, de uma expulsão". É claro que ele se refere a Reconquista como um genocídio, mas ele se cala sobre a invasão islâmica e da consequente ocupação da Península Ibérica.

(Leia sobre o mito do paraíso Andalus no artigo A verdade sobre Al-Andaluz e Córdoba: cristãos e judeus sob opressão, jihad e escravidão, inclusive a sexual.

Um outro exemplo do desejo islâmico de tornar a Espanha (e Portugal) islâmica vem de vídeos do Estado islâmico. Um deles diz "Vamos recuperar al-Andalus, a vontade de Alá. Oh, querida Andalus! Você pensou que nos esquecemos de você. Juro por Alá que nunca nos esquecemos de você. Nenhum muçulmano pode esquecer Córdoba, Toledo ou Xàtiva. Há muitos muçulmanos fiéis e sinceros que juram que irão voltar para al-Andalus." (Jihadwatch)

"Apoio da Andalus significa que quando nós formos para a Espanha não será difícil tomá-la de volta"

Em um vídeo de 11 de junho de 2017, o estudioso islâmico egípcio xeique Ayman Khamis diz que "Al-Andalus é exatamente como a Palestina. Nunca nos esqueceremos das nossas terras. Dizemos ao Ocidente: nunca esqueceremos nossas terras. Devemos tomá-las de volta porque são terras ocupadas. Al-Andalus é ocupado pelos espanhóis, assim como a Palestina é ocupada pelos judeus, e devemos retomá-la, se Alá quiser." (MEMRI)


Não tenham dúvida que eles irão tentar, basta terem um número suficiente de muçulmanos desejosos de lutar pela causa de Alá. Veja o exemplo das Filipinas. Um número pequeno já é o suficiente para causar confusão. Mas no caso da Catedral de Córdoba, eles têm a UNESCO e a Esquerda pró-islâmica do seu lado. E, claro, o crescimento demográfico pois a população muçulmana na Espanha cresceu 800% entre 2001 e 2014.

Enquanto isso, igrejas vem sendo destruídas ou convertidas em mesquitas no Iraque e Síria pela jihad islâmica (MCN) sem qualquer tipo de comoção.

Leia mais sobre este assunto no artigo Qatar e Arábia Saudita querem islamizar uma das maiores catedrais da Europa, escritro por Giulio Meotti, no Gatestone Institute.




Atualização: Estado islâmico ameaça em um vídeo a Espanha e diz que irá recuperar Al Ándalus e vingará a Inquisição
No rastro dos ataques terroristas em Barcelona, o Estado islâmico ameaça a Espanha em um novo vídeo que se espalhou pelas redes. A gravação está centrada nos ataques de Barcelona e, na sua aparência, os dois terroristas do Estado islâmico. Um deles, identificado na imagem como "Al Qurtubí", em espanhol, o Cordovan, ameaça recuperar Al-Andalus: "Com a permissão de Alá, Al-Andalus será o que era: uma terra de Califado". (La Vanguardia)

Atualização: "É Insuportável para os Jihadistas o Simples Fato de Existirmos"
A Espanha foi atacada com dois atentados terroristas em Barcelona mesmo sem ter participado na guerra contra o Estado Islâmico. Os jihadistas não precisam de uma "razão" para matar ocidentais. Eles atacam, sem fazer distinção, tanto a França, que conduz operações militares no Oriente Médio e no Norte da África, como países como a Espanha e a Alemanha, que são neutros. (Gatestone Institute)


Referências

UNESCO, controlada por islamistas, nega história judáica e cristã em Jerusalém e arredores

A verdade sobre Al-Andaluz e Córdoba: cristãos e judeus sob opressão, jihad e escravidão, inclusive a sexual.

Muslims divided over request for use of Cathedral, AsiaNews, 2004

Armstrong, Ian (2013). Spain and Portugal. Avalon Travel Publishing. ISBN 9781612370316.

Islamic State desecrated 45 churches in Mosul, says Christian aid organization, MCN, 2014

Islam in Spain: 800% population increase in mere 13 years, Muslim Statistics, 2014.

Soeren Kern (2014), Islamic State: "We Will Take Spain Back", Gatestone Institute

Amenaza yihadista en castellano (2014), Noticias Quatro.

Eric Calderwood (2015), The Reconquista of the Mosque of Córdoba, Foreign Policy.

Hugh Fitzgerald (2017), The Once and Future Al-Andalus, Jihadwatch

Benedict Spence (2017), Muslim Groups Campaign to Turn Catholic Cathedral in Spain Into ‘Shared Worship Space’, Heatstreet.




quarta-feira, 18 de maio de 2016

Não! Salvador não é árabe (e muito menos, islâmica) - refutação a artigo de Ronney Argolo, no Correio de Salvador


O que segue abaixo é o teor de um e-mail que eu enviei para o reporter Ronney Argolo, do Correio, de Salvador, relativo a sua matéria intitulada Salvador também é árabe: acarajé, cuscuz, vestir branco na sexta-feira... confira. O meu objetivo é o de discutir alguns aspectos que eu julgo serem erros históricos contidos no artigo. Eu irei reproduzir a resposta do repórter, caso ela exista e se ele me permitir.  
PS. O e-mail do repórter, Ronney Argolo, como fornecido na reportagem está errado. As minhas tentativas de comunicação por outros meios falharam.
Tomo a liberdade de tecer alguns comentários sobre a matéria Salvador também é árabe: acarajé, cuscuz, vestir branco na sexta-feira... confira, publicada online no Correio, em 2 de abril de 2016. Eu julgo salutar enfatizar os erros históricos na mesma, bem como mencionar que a matéria acaba fazendo uma confusão entre raças (negro africano, árabe, mouro), culturas e religião (islamismo).

1. Em primeiro lugar, árabe não é sinônimo de muçulmano. Existem árabes muçulmanos, cristãos, judeus, ateus. Além do mais, as ondas de imigração árabe para o Brasil, notadamente sírios e libaneses, foram compostas, em sua esmagadora maioria, por árabes cristãos. Uma maior presença muçulmana no Brasil é algo recente devido ao aumento no volume migratório dos últimos anos. E quanto a muçulmanos negros trazidos como escravos, o percentual foi muito reduzido pois os negros muçulmanos eram os mercadores de escravos e os negros politeístas, por exemplo, os adoradores de Iemanjá e Oxum, eram as vítimas.

2. A influência árabe muçulmana na África Negra é algo para se lamentar, e não algo para se celebrar. Os árabes muçulmanos se fizeram presentes na África negra a partir do século VII, e visavam a busca de escravos negros. Os muçulmanos estavam apenas seguindo o exemplo do seu profeta Maomé, que foi um mercador de escravos. A palavra em árabe usada para se referir a negros, abd, é a mesma usada para se referir a escravos. A maior revolta de escravos negros da história ocorreu no atual Iraque, durante o Califado Abássida, no século IX, chamada de Revolta de Zanj.

Na África, os negros que se converteram para o islamismo se tornaram os mercadores de escravos para os árabes. Os portugueses, como outros europeus, nunca saíram à caça de escravos negros. Na verdade, eles eram comprados de mercadores muçulmanos negros. Por este motivo, muito poucos muçulmanos negros foram feitos escravos. Isso apenas acontecia quando eles não eram considerados muçulmanos de verdade pelos mercadores de escravos, e mereciam ser punidos por isso.

O documentário da TV portuguesa intitulado Escravos Desconhecidos relata bem o fato histórico, bem como discute a negativa dos muçulmanos em admitirem terem sido perpetradores do maior tráfico de escravos da história da humanidade. Vale a pena assistir, serão 41 minutes bem usados. Disponível no YouTube: https://youtu.be/u00pZ-mIZyk, e no Bitchute: https://www.bitchute.com/video/K5WkyRCmFaQF/.


Escravos Desconhecidos

Existe farta bibliografia sobre o escravagismo islâmico. Eu indico algumas delas ao final do meu texto.

3. Sobre a luta de portugueses e espanhóis pela sua liberdade e independência e contra a ocupação árabe e moura

Na matéria é dito que:
Quando a Península Ibérica se libertou, a população já era bastante moura em seus hábitos. 
Muçulmanos, árabes e bérberes (mouros), ocuparam militarmente a Península Ibérica por séculos. Portugal foi ocupado por cerca de 500 anos. Em geral, a ocupação da Península Ibérica pelo islamismo foi brutal e pode ser resumida por esta frase do historiador Roger Collins:
A conquista árabe criou as condições para um estado de guerra quase permanente na Península Ibérica que colocou especial ênfase na destruição e na exibição de inimigos mortos, com um animado comércio de escravos como um incentivo adicional. Isto continuou durante todo o período abrangido por este livro, e em escala e intensidade que excedeu qualquer coisa que pudesse ser encontrada em outros lugares na Europa Ocidental nestes séculos. Mesmo em Córdoba, no seu apogeu cultural, terá sido difícil escapar do fedor de decomposição da carne humana das cabeças decapitadas exibidas nos portões e os corpos daqueles publicamente crucificados, deixados a apodrecerem na frente do palácio.
Os portugueses e espanhóis nunca aceitaram a ocupação islâmica e lutaram contra ela até o fim.

Na matéria é dito que:
Os mouros toparam a viagem e vieram de onde seria o Marrocos e a Argélia.
Este infográfico usado na matéria está errado

Não se trata de terem "topado a viagem" como se fosse um passeio. Os mouros eram a tropa de infantaria dos árabes, e não estavam "viajando" para Portugal. Estavam invadindo e ocupando!

É sempre importante fazer a seguinte pergunta: por que os árabes muçulmanos deixaram a Península Arábica, caminharam mais de 6 mil quilômetros pelo deserto, e invadiram a Península Ibérica? Que ideologia sórdida e que objetivos macabros os levaram a fazer isso, sem nunca terem sido provocados pelos habitantes da Península Ibérica? 

Recentemente, alguns apologistas islâmicos vem tentando propagar a idéia de que os árabes foram convidados a invadirem a Península Ibérica pelos próprios reis visigóticos. Isso é um absurdo e não possue base histórica alguma. Curiosamente, um infográfico usado na matéria diz exatamente isso! De onde o jornalista tirou esta barbaridade?

Este infográfico usado na matéria está errado

5. Quanto a herança linguística, deve ser dito que é surpreendente que apenas algumas palavras de origem árabe tenham sobrevivido a ocupação muçulmana de Portugal de vários séculos. Isso indica a enorme rejeição do islamismo por parte da população nativa portuguesa. Se os nativos estivessem satisfeitos com os seus algozes, eles teriam não apenas adotado mais palavras em árabe, mas todo o árabe, bem como a religião islâmica! Na verdade, eles lutaram para se livrar deles todos!

Outra coisa que deve ser dita é que influência linguística faz parte do desenvolvimento histórico de qualquer idioma. O português tem, claro, forte influência do latim, mas também herdou palavras do basco, celta, fenício, visigodos, chinês, francês, grego, italiano, espanhol e árabe. E, no Brasil, existe ainda a influência do tupi-guarani e dos dialetos da África Negra. Sem esquecer da forte influência do inglês na atualidade. Então, Salvador é basca, celta, fenícia, visigódica, chinesa, francesa, grega, italiana, espanhol, árabe, tupi-guarani, iorubá, quimbumbo e inglesa? Não, Salvador é brasileira!

 

4. O azulejo português é uma herança dos mouros?

A rigor, é um erro dizer que o azulejo português é uma herança dos mouros. O emprego de azulejos para decorar paredes é algo muito antigo, usado e desenvolvido por várias civilizações e povos. Os Romanos já usavam azulejos, e Portugal fazia parte do Império Romano como a Província da Lusitânia. A China, a Pérsia, a Índia foram povos que usaram azulejos de todos os tipos. É verdade que uma "arte islâmica" foi desenvolvida sobre a técnica existente e inspirada na porcela chinesa, porém os chineses continuaram a popularizar estilos distintos e esmaltes que foram amplamente adotadas pelos holandeses, inglêses, espanhóis, portugueses, italianos e em outros países europeus.  Você já ouviu falar no Delft Blue?

Deve ser ressaltado que a lei islâmica proibe a reprodução de seres vivos, inclusive humanos, motivo pelo qual os adornos usados pela "arte islâmica" eram todos geométricos, ao passo que a arte do Azulejo Português emprega figuras humanas e de animais, bem como a retratação de eventos históricos. Narra-se que o Rei Manuel I desejou ter seu palácio em Sintra ornamentado por azulejos que humilhassem aqueles do Palácio de Alhambra. Ou seja, o estilo islâmico serviu de inspiração não para ser imitado, mas para ser sobrepujado.

Persépolis, ano 815 a.C.

6. Apropriação da cultura negra e politeísta africana pelos muçulmanos

A matéria diz:
Hoje, no aniversário de 466 anos de Salvador, o CORREIO reconhece uma outra paternidade da cidade: os árabes e muçulmanos.
Sobre a Nigéria, por exemplo, onde nasceu Abdul e de onde vieram os malês há cerca de 200 anos, até a comida é familiar. Lá existe o acará, que parece muito o acarajé. Já o maimae é uma versão do nosso abará. Até o caruru encontra suas origens nigerianas. Outros hábitos, como vestir branco na sexta-feira, são compartilhados entre baianos e muçulmanos (confira no infográfico).
O prato acará (acarajé) é árabe? Até onde eu saiba, este prato é original do Oeste da África Negra!

O prato maimae (abará) é árabe? Este é um prato típico da culinária baiana e, como o
acarajé, também faz parte da comida ritual do candomblé!

O prato caruaru é árabe? Na verdade, ele procede do termo africano kalalu. É um prato típico da culinária baiana, originário da culinária africana, e é utilizado como comida ritual do candomblé.

Será que os negros africanos não tinham capacidade para criarem a sua própria culinária e dependiam dos árabes para isso? E como seria possível que os muçulmanos criassem pratos para fazerem parte de ritos pagãos? Nunca! (Leia aqui sobre o que Maomé fez com símbolos pagãos)

Abaixo, fotos tiradas durantes festivais de Iemanjá e Oxum na Nigéria. Repito, essas fotos não são de Salvador da Bahia, mas da Nigéria. Com sinceridade, por algum acaso isso parece árabe? Ou muçulmano? Então, as tradicionais Baiananas de Salvador que conhecemos tem que origem? E os pratos que elas cozinham, o acarajé, o abará e o caruaru, vem de onde, da arábia?

O erro cometido na matéria chama-sa de "apropriação cultural." Neste caso, a matéria faz com que o islamismo tome posse de uma prática cultural (e religiosa) que não apenas não lhes pertence, mas que é condenada por ele por ser pagã.
Os descrentes entre o Povo do Livro e os pagãos irão queimar eternamente no fogo do inferno. Eles são as criaturas mais desprezíveis (Alcorão, 98:51)

Elegun manifestada em Iemanjá durante um festival na Nigéria (Fonte: wikipedia)

Mulheres com quartinhas (Fonte: Terceira Diáspora)

Nigerianos homenageiam Oxum em festival anual (Fonte: Terra)

Uma adoradora de Oxum reza perante um ídolo no Sudoeste da Nigéria (Fonte: Terra)

Dança Orixá de Ijebú, durante o festival Oxum, em Osogbo, Nigéria

https://youtu.be/C38PReem1wE OK
Dança Orixá de Ijebú, durante o festival Oxum, em Osogbo, Nigéria


7. A grande civilização moura?

A matéria usa vários infográficos, muitos deles com informação errada, mas este abaixo chama atenção particular por ser destinado aos professores:
Ser dominado pelos árabes acabou ajudando Portugal a virar a potência das grandes navegações. Acontece que os mouros eram uma civilização de vanguarda: dominavam técnicas de navegação e arquitetura, o que ficou de herança para os novos reinos ibéricos.
 Atenção Professores: as informações contidas no infográfico acima estão erradas! 

Vamos comentar sobre os erros do infográfico:
  1. A única contribuição árabe para Portugal ter se tornado uma potência foi a resistência a ocupação árabe. Os portugueses tiveram que se agrupar como entidade política e se tornar potência militar, forte o suficiente para derrotar os árabes e expulsá-los da sua terra.
  2. Os mouros nunca foram civilização de vanguarda. A técnica de navegação que eles dominavam é conhecida como navegação de cabotagem, pois eles precisavam manter a costa à vista. Por exemplo, as Ilhas Canárias, que se encontram a apenas 100 quilômetros de distância do Marrocos, nunca foram visitadas pelos Mouros! As técnicas de navegação que os portugueses e espanhóis usaram para os grandes descobrimentos vieram pelo norte do mediterrâneo, via Império Romano do Oriente (Bizâncio), Veneza e Genova. 
  3. Só para deixar claro a superioridade naval dos bizantinos, venezianos e genoveses (e mais tarde dos portugueses, espanhóis, holandeses, ingleses, ...) os muçulmanos nunca tiveram controle naval do Mar Mediterrâneo. Todas as batalhas navais envolvendo europeus e muçulmanos (tenham sido estes árabes, mamelucos ou otomanos) foram vencidas pelos europeus. 
E para deixar claro algo muitíssimo importante. Os árabes que invadiram a Península Ibérica eram culturalmente muito abaixo dos reinos visigóticos que eles estavam invadindo.

Devagar com este andor! A rigor, os invasosres árabes, moradores do deserto e iliterados, 
absorveram a cultura dos povos por ele ocupados

8. Mais um pouco sobre culinária

A matéria diz:
Sabe o cuscuz? É marroquino.
O cuscuz é um prato bérbere. A palavra cuscuz é uma outra palavra herdada do árabe (alcuzcus), que, neste caso, herdou do bérbere, já que o prato pré-data a expansão árabe. É considerado como o prato nacional da Tunísia (apesar de o chamarmos de cuscuz marroquino), e consiste num preparado de sêmola de cereais, principalmente o trigo. Ele pode ser misturado com diversos outros alimentos, como vegetais ou carne. De modo, que o nome passou a designar uma mistura de alimentos. Após a reconquista, este tipo de cuscuz se manteve popular por algum tempo em Portugal (caindo em desuso). Na época da colonização, os portugueses perceberam que os povos indígenas brasileiros tinham pratos cujo preparo envolvia a mistura de alimentos, porém usando os frutos da terra, nomeadamente, a mandioca, o milho, o coco, a tapioca, e outros. Isto levou os portugueses a usarem o mesmo nome, sendo o seu uso banalizado para indicar uma mistura. Porém, os pratos são diferentes, muito diferentes!

Cuscuz de camarão com milho, cuscuz de tapioca e cuscuz marroquino com sêmola

A matéria diz:
Na Bahia, conta-se que o falafel, bolinho frito de grão-de-bico, teria inspirado o acarajé.
Esta afirmação se contradiz com uma outra da própria matéria, que mencionou o acarajé com sendo oriundo do acará da Nigéria. Além do mais, o falafel é um prato típico ao redor do Oriente Médio e é feito de grão-de-bico. Essa comparação entre o falafel a o acarajé não faz o menor sentido, nem do ponto-de-vista culinário, nem do ponto-de-vista geográfico, e nem do ponto-de-vista histórico.

O equívoco sobre o falafel e o acarajé é repetido em um infográfico.

Acarajé e falafel

Mais um infográfico "provavelmente" incorreto


9. Sobre a "herança arquitetônica":

A matéria diz:
Já os terraços e varandas fazem parte da tradição arquitetônica muçulmana.
Interessante. Quer dizer que os terraços e as varandas de Salvador vem da "arquitetura muçulmana." Bem, em primeiro, eu não sei o que é isso. Mas vamos ver se isso foi algo trazido para Portugal junto com a jihad islâmica que conquistou e subjugou os portugueses por 500 anos, ou se era algo que já existia em Portugal antes das invasões militares muçulmamos.

Em primeiro lugar é importante ressaltar que os árabes muçulmanos saíram dos desertos da Arábia e a única forma arquitetônica que eles dominavam era montagem de tendas. Estes primeiros muçulmanos, sem cultura, sairam a conquistar militarmente, sob a bandeira da jihad islâmica, as grandes civilizações da época, o Império Romano do Oriente e o Império Persa Sassânida. Tudo o que os muçulmanos aprenderam veio destes impérios! Mas, e os terraços e varandas? Bem, eles já existiam na aquitetura romana, grega e persa. Eles eram construídos muitos séculos antes da invenção do islamismo no século VII. Terraços e varandas são característica de lugares de clima quente.

Por exemplo, ao longo da Grécia antiga, terraços já eram usados extensivamente na arquitetura, pública e privada. Por exemplo, terraços podem ser encontrados em Knossos, circa 1700 a.C. [3.1]. O império romano também fez uso extensivo de terraços, colocando-os em frente de estruturas monumentais (tais como templos) ao longo da sua história imperial [3.2]. E isso sem olharmos para o sudeste e leste da Ásia, que já fazia uso de terraços.

Quanto a varandas, do mesmo modo, era comum na Grécia e Roma antigas. Por exemplo, em Pompéia, existem pinturas e evidências arquitetônicas de varandas.

Se considerarmos que o Império Romano tomou conta de toda área ao redor do Mar Mediterrâneo, inclusive a Península Ibérica e o Norte da África, por vários séculos, é muito mais coerente concluir que os invasores muçulmanos tomaram conhecimento dos terraços e varandas ao invadirem aquelas terras e não o contrário. Ou seja, os muçulmanos adotaram a arquitetura greco-romana já existente. A rigor, Salvador é greco-romana.

Uma varanda pintada na parede de uma casa em Pompéia

Apenas para registrar mais esta correção em um dos infográficos utilizados na reportabem

10. Sobre um "provável" sincretismo religioso entre as religiões nativas da África negra e o islamismo

A matéria diz:
Hábitos como usar patuás para proteção, provavelmente, eram comuns às duas culturas desde a África e se mantiveram no Brasil. 
Repare o emprego da palavra provavelmente na afirmação da matéria. Isso é uma suposição! A matéria insinua que existia um sincretismo religioso entre as religiões nativas da África negra e o islamismo, e se utiliza de suposições para sustentar esta tese. A suposição é o emprego de patuás para proteção. O fato é que o islamismo proíbe terminantemente o uso de objetos, isso seria feitiçaria, algo considerado um crime sujeito a retaliação pela lei islâmica Sharia (lei o1.0 e p3.0 - 'Umdat as-Salik wa 'Uddat an-Nasik). A falta de referência na matéria impede que o tema possa ser aprofundado.

11. Sobre o "turbante" usado pelas baianas

Sim, as baianas usam um turbante, também chamado de torço. Isso vem do Candomblé, e se chama ojá e vem das religiões tradicionais africanas, tendo sido herdado pelas religiões afro-americanas e afro-brasileiras.

Mas, qual a origem do turbante? A rigor, a origem do turbante é desconhecida. Porém, ele já era usado no Oriente muito antes do surgimento do islamismo. As mulheres muçulmanas não usam turbantes, elas usam o hijab, que cobre o pescoço todo, e isso sem contar a vestimenta recomendada pelo Alcorão, o niqab, que só deixa os olhos de fora. É muito diferente do torço (ojá) usado pelas baianas.

Africana usando chapéu tradicional e muçulmana usando o niqab

Mais um infográfico que se utiliza da palavra "provavelmente" para forjar uma ligação inexistente

Comentarios Finais

Me parece que o autor da matéria se deixou levar pela ânsia de encontrar "raizes árabes" em tudo o que existe. Notadamente, com respeito a cultura negra, o que se fez é uma verdadeira apropriação cultural. Será que o autor não considera os negros capazes de desenvolverem nada por sí só, apenas com influências externas, neste caso, do islamismo?

Eu espero ter podido não apenas indicar os principais erros da matéria como também esclarece-los.

Para quem desejar maiores esclarecimentos, deixe o seu comentário.

Atualização em 28 de maio
Eu estou enviando comentário para o jornal Correio, mas ele tem sido ignorado. Já fiz isso três vezes.



1. Livros sobre a escravidão islâmica
  1. The Legacy of Arab-Islam in Africa, John Alembellah Azumah, 2001, Oneworld Publications
  2. Ronald Segal, Islam's Black Slaves: The Other Black Diaspora, 2002, Farrar, Straus and Giroux
  3. Slavery in the Arab World, Murray Gordon, 1998, New Amsterdam
  4. Robert C. Davis, Christian Slaves, Muslim Masters: White Slavery in the Mediterranean, the Barbary Coast and Italy, 1500-1800, 2004, Palgrave McMillan 
2. Livros sobre a ocupação islâmica da Península Ibérica
  1. Roger Collins, Caliphs and Kings, Spain, 796-1031, Willey Blackwell, 2012
  2. Dário Fernández-Morera, The Myth of Andalusian Paradise, Muslims, Christians, and Jews under Islamic Rule in Medieval Spain, ISI Books, 2016
  3. Olivia Remie Constable (Ed.), Medieval Iberia, Readings from Christian, Muslim, and Jewish Sources, University of Pensilvania Press, 2011. 
3. Referências sobre terraços e varandas
  1. Dinsmoor, William Bell and Anderson, William J. The Architecture of Ancient Greece: An Account of Its Historic Development. New York: Biblo and Tannen, 1973.
  2. MacDonald, William Lloyd. The Architecture of the Roman Empire: Volume 3, An Urban Appraisal. New Haven, Conn.: Yale University Press, 1986, p. 135.